Mercado de Energia

1. INTRODUÇÃO

O estado do Amazonas, a despeito de contar com grande potencial hídrico, sempre teve dificuldade na oferta de energia elétrica, apesar do permanente aporte de investimentos governamentais. A longa distância dos grandes centros consumidores, tem contribuído para a situação, forçando a exploração da geração própria isolada, através do uso de usinas termelétricas, à exceção da Hidrelétrica de Balbina. Em consequência, o planejamento de energia elétrica deve estar embasado no leque de informações e indicadores históricos e sazonais, dentro dos vários contextos socioeconômicos, políticos, demográficos e ambientais, para que o resultado se identifique com a realização, evitando prejuízos imensuráveis à economia e à sociedade.

O mercado de energia elétrica amazonense é o único no país totalmente não-interligado, onde a grandeza da região parece multiplicar os desafios para torná-la parte do mundo moderno. Os centros urbanos, inclusive a capital, localizam-se nas áreas centrais, dificultando a logística do deslocamento de bens, serviços e pessoas. Cheia de contrastes, a ação antrópica não conseguiu tirar da região a condição de maior densidade florestal do mundo, e suas bacias hidrográficas ainda representam as vias de transportes mais econômicas e servem na integração entre as localidades desprovidas de outros meios de interligação. Embora detenha grandes potencialidades naturais, o Interior do Estado carece de empreendimentos econômicos capazes de aumentar a produção regional, que garanta o incremento de um sistema sustentável a promover efetivamente renda e emprego.

Vale destacar que a empresa é responsável pela geração, transmissão, distribuição e comercialização de toda a energia do Estado, constituindo-se em dois sistemas de distribuição: o Sistema Manaus e o Sistema Interior.

2. O PARQUE GERADOR DA ELETROBRAS AMAZONAS ENERGIA

2.1 O SISTEMA MANAUS – CAPITAL

O Sistema Manaus consiste no complexo de geração de energia elétrica (UTEs,PIEs e UHE), abrangendo a capital do Estado e os municípios de Iranduba e Presidente Figueiredo. Manacapuru integrará o Sistema quando for interligada à subestação de Iranduba, prevista para outubro de 2012. Em Manaus são atendidos 457.682 consumidores ativos (dezembro/2011), sendo: 28 clientes no tipo A3 (69kV), 1.957 clientes no A4 (13,8 kV) e 455.697 clientes na baixa tensão (110/220 volts).

O parque gerador próprio do Sistema Manaus é composto pelas Usinas Térmicas de Aparecida (172,0 MW), Mauá (436,5 MW), UTE-Cidade Nova 15,4 MW, UTE-São José (36,4 MW), UTE-Flores (69,0 MW) e Hidrelétrica de Balbina (250,0 MW), localizada no Rio Uatumã; para completar a geração há a usina flutuante Electron com 120 MW. Isto resulta em uma potência efetiva de 1.099,3 MW. Para completar a demanda do mercado é necessária a compra de energia dos Produtores Independentes: Breitener Tambaqui (60 MW); Breitener Jaraqui (60 MW); Manauara (60 MW), Rio Amazonas (65 MW) e GERA (60 MW), totalizando 305 MW.

2.2  SISTEMA INTERIOR

O Sistema Interior se estende aos demais municípios, numa área de 1,57 milhão de quilômetros quadrados, contemplando 105 localidades, entre as quais 61 sedes municipais, e atende 293.045 consumidores, sendo 225.229 residenciais (dezembro/2011). A potência nominal do parque gerador do interior é de 479 MW e potência efetiva de 383 MW.

A energia faturada no ano 2011 foi de 902.199 MWh, superior 9,3% em relação ao ano anterior. A geração foi de 1.318.854 MWh, representando um crescimento do interior de 7,0% no mesmo período. As trocas comerciais internas são suficientes para manter o fluxo financeiro nas municipalidades, sem esquecer que a capital é o grande mercado consumidor da região. A principal fonte de renda resulta dos repasses governamentais às prefeituras, grandes provedoras do emprego local. A transferência financeira das aposentadorias, os benefícios pagos pela previdência social e as políticas públicas de inclusão social, contribui para o crescimento socioeconômico regional.

A Tabela a seguir mostra os principais dados de mercado no ano passado dos vinte maiores municípios, representando 70% da energia faturada.

Dados de mercado dos dez maiores municípios em 2011

 3. DADOS DE MERCADO DA ELETROBRAS AMAZONAS ENERGIA

O mercado de energia elétrica unificado para o estado do Amazonas, mostra assimetria de 4,8 vezes da capital sobre o interior. O mercado no ano de 2011 em relação ao período anterior cresceu 5,2%, apesar dos efeitos da crise financeira internacional na retração do nível de investimento e consumo internos. Mesmo assim, a produção industrial local atendeu a demanda dos estoques internos, amparada pela política governamental de incentivo ao consumo, através da expansão do crédito e subsídio a setores produtivos. A recuperação do emprego do Polo Industrial chegou ao nível de 119,5 mil trabalhadores diretos em 2011, com repercussão na distribuição de renda.

MERCADO POR CLASSE DE CONSUMO – MWh

Na distribuição entre as classes de consumo de 2011, nota-se a regularidade no crescimento Residencial (5,2%), Industrial (7,4%) e Comercial (6,9%), enquanto que as demais classes, à exceção da Rural, cumulativamente registraram 7,3% de variação. O consumo próprio teve redução graças à conversão dos motores diesel para gás nas usinas de Mauá e Aparecida. Desconsiderando as participações de cada classe no mercado energético, percebe-se que o crescimento foi coeso e uniforme, não havendo descolamento significativo de nenhuma das partes.

A perspectiva do mercado de energia elétrica para a área de concessão da Amazonas Energia é bastante promissora, face aos acontecimentos nos nichos de crescimento da região, seja por compromissos assumidos pelo governo de melhoramento em diversas áreas de atividades, tais como o aparelhamento da cidade e áreas limítrofes para acolher o espetáculo da Copa do Mundo em 2014, com obras de estádios na Região Metropolitana, infraestrutura urbana e viária, transporte fluvial e aeroportuário (ampliação do Aeroporto “Eduardo Gomes”, incluso), além das grandes obras civis imobiliárias, com inúmeras torres comerciais e residenciais, inclusive milhares de casas populares para famílias de baixa renda. O mercado de Manaus terá um novo Shopping Center de luxo na área da Ponta Negra, com 170 lojas, um complexo de sete torres residenciais para o público com renda acima de R$ 6 mil/mês. Isso indica o potencial e pujança do mercado regional, que a despeito de encontrar-se longe dos grandes centros do Sudeste e Sul, consegue criar o seu próprio pool de oportunidades empresariais, capitaneado pela indústria do PIM com a credibilidade da Zona Franca de Manaus.

O mercado de energia da empresa é bastante promissor, com previsão de crescimento médio de 6% a.a. para os próximos 10 anos. A interligação do Estado ao Sistema Interligado Nacional tende a resolver o problema da oferta de energia nos próximos anos, contribuindo para o crescimento econômico da região. A seguir, a previsão de Energia e Demanda para os anos de 1012, 1016 e 1022.

 

 

Anos Energia Requerida (GWh) Demanda Requerida (MW)
2012

9.247

1.541

2016

11.799

1.996

2022

16.543

2.764